18 de maio de 2010

PRESSUPOSTOS BÁSICOS DE WILFRED BION


Wilfred Bion foi um psiquiatra e psicanalista inglês que desenvolveu pesquisas sobre a formação e fenômenos de grupo, entre outros assuntos. Iniciou seus trabalhos no exército inglês e deu prosseguimento aos mesmos em grupos do Instituto Tavistock, constituídos de pessoas com formações diversas. Muitos dos conceitos desenvolvidos em sua pesquisa se tornaram relevantes para a compreensão de grupos de trabalho e dos fenômenos emocionais subjacentes a eles, influenciando gerações futuras de pesquisadores em diferentes áreas do conhecimento, como já havia sido mostrado por Maria Tereza Leme Fleury e pesquisadores associados. Este ensaio faz uma reflexão crítica das contribuições de Bion e uma avaliação do impacto do seu trabalho sobre alguns autores da Psicologia do Trabalho, Sociotécnica e Administração.

Seus três pressupostos são:

Dependência: O grupo fica na dependência de um líder, o mesmo será o responsável para garantir a estabilidade do grupo. Este líder é investido com qualidades de onipotência e onisciência. Ele ou ela é idealizado e é transformado em um tipo de deus. O sentimento é que só o líder sabe qualquer coisa e só o líder pode resolver os problemas da realidade do grupo. Tal líder é uma pessoa mágica que não precisa de informação e é divina por isto.

"O grupo é bastante incapaz de enfrentar as emoções dentro dele, sem acreditar que possui alguma espécie de Deus que é inteiramente responsável por tudo o que acontece".

Pode gerar regressão e anulação dos indivíduos, já que o líder é aquele que garante o saber, a segurança, a direção do grupo, satisfaz os desejos e soluciona as preocupações.

Os membros do grupo freqüentemente consideram suas experiências insatisfatórias e insuficientes para lidar com a realidade, desconfiam da sua capacidade em aprender pela experiência. Seus sentimentos mais freqüentes são os de inadaptação (à vida, às suas experiências etc., e não apenas ao grupo) e de frustração.

Grupos religiosos são os exemplos clássicos deste tipo de pressuposto.

Luta e Fuga: O segundo pressuposto básico é o de luta-fuga e pode ser exposto da seguinte forma: "estamos reunidos para lutar com alguma coisa ou dela fugir".

Neste pressuposto o grupo possui uma suposição inconsciente quanto à existência de um perigo que pode ser real ou imaginário, os sujeitos devem estar prontos para lutar e fugir de alguém ou de algo. A solução é evitar a dor e rejeitam-se idéias que possam gerar desconforto ou confrontação. Neste, o líder é invencível.

A característica ideal é que o líder seja paranóico, sem qualquer sugestão de qualidades deprimentes, e possa nomear fontes de perseguição, até mesmo se elas não existirem em realidade. É esperado que o líder identifique perigo e os inimigos e sinta ódio por eles. O grupo dá para o líder a habilidade para transformar isto em briga ou fuga e vice-versa. O líder tem o poder porque ele ou ela podem atuar no pânico que é sentido pelos membros do grupo. Ocorre geralmente em grupos militares.

Acasalamento: A experiência de ser em uma suposição básica de acasalamento é estar em um grupo que se entusiasmou pela idéia de apoiar dois membros que produzirão uma nova figura de líder que assumirá plena responsabilidade pela segurança do grupo. O desejo, em fantasia inconsciente, é que o par produzirá um Messias, um Salvador, ou na forma de uma pessoa ou na de uma idéia a que eles possam aderir.

Porém, o ponto crucial não é um evento futuro, mas o sentimento de esperança no presente imediato. Fica determinado o apego a essa esperança futura que ainda ocorrerá, na forma de pessoa ou idéia que irá solucionar todas as questões do grupo. Nada se cria na realidade, pois a realidade se baseia na esperança.

O grupo de acasalamento foi inicialmente observado em pares que conversavam assuntos diversos, à parte, sem que o grupo se incomodasse com eles ou chamasse a sua atenção, aceitando-os.

É verificado principalmente em sociedades políticas.

Bibliografia:


BARBERÁ, E. KNAPPE.P.P. A Escultura Na Psicoterapia: Psicodrama e outras técnicas de ação. São Paulo: Agora, 1999.

BERMUDEZ, J. G. R. Introdução ao psicodrama. Tradução Dr. José Manoel D Alessandro. São Paulo: Mestre Jou, 1970.

GONÇALVES, C. S. & outros. Lições de Psicodrama. Introdução ao Pensamento de J.L.Moreno. São Paulo: Ágora, 1988.

MARINEAU, R. F. Jacob Levy Moreno 1889-1974 - Pai do psicodrama, da sociometria e da psicoterapia de Grupo. São Paulo: Ágora, 1992.

MORENO, J.L. Psicoterapia de grupo e psicodrama. Tradução José Carlos Vítor Gomes. Campinas. SP: Livro Pleno, 1999.

KNAPPE, P. P. Mais do que um jogo: Teoria e prática do jogo em psicoterapia. São Paulo: Ágora, 1998.

SEIXAS, M. R. A. Sociodrama Familiar Sistêmico. São Paulo:ALEPH, 1992.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Este espaço é todo seu, deixe sua marca e obrigada pela visita!

Postar um comentário