17 de maio de 2010

EXEMPLOS DE UTILIZAÇÃO DA METODOLOGIA

O uso do Objeto Intermediário para verificação da imagem que os participantes têm da empresa:

Para investigar a imagem atribuída pelos trabalhadores à empresa estudada, após a atividade de apresentação em dupla, solicitou–se que cada dupla criasse um slogan de apresentação da empresa com gravuras fornecidas pelos pesquisadores. Após um tempo de aproximadamente 5 (cinco) minutos, cada dupla criou seu slogan apresentando–o para o grupo. Abaixo, os slogans são apresentados:

"A... é uma águia porque visualiza seu produto no mundo inteiro".

"A... é uma onça, é uma fera no mercado".

"A... representa um leão pela sua grandiosidade".

"A... é uma grande empresa, mas nunca deixa de ter seus cachorros no meio".

"A... é um avestruz, é sempre ágil e veloz na conquista de mercado".

"A... é um elefante porque é uma empresa de peso no mercado".

"A... é um tigre quando faz uma cobrança de produção, além do mais, a gente é capaz de fazer quando eles pedem, mas aí o tigre desce o rabo".

"A... é um camelo que supera as dificuldades em qualquer condição".

"A... é uma águia, sobrevoa seus ideais e suas metas".

"A... é uma onça quando deixa a desejar na qualidade".

"A... é como um tigre, tem a agilidade de um tigre, a garra de um tigre".

"A... é um camelo quando se trata de produção".

"A... em termos de tecnologia é um elefante, é grande".

"A... na questão da produção é um avestruz, ela é rápida. Nós somos rápidos".

"A... é um leão na qualidade de seu produto".

Analisando as frases criadas pelos participantes, percebemos que os mesmos manifestam uma imagem positiva da empresa, vêem a mesma como competitiva, percebem o que produzem como de grande importância para o mercado. Tais manifestações remetem às colocações de Pagès e colaboradores (1993, p. 85) que ao descreverem sobre o poder das organizações atentam para o fato de que a crença dos trabalhadores na imagem da empresa coloca–os como responsáveis por essa perfeição, pois segundo os autores "para ser reconhecido, para chegar ao status de sujeito, é necessário reconhecer a organização como princípio único (é necessário crer) e se reconhecer nela, único campo semântico oferecido à consciência".

Parece ser exatamente isso que os participantes quiseram traduzir em seus slogans, os atributos de poderosa, generosa, infalível, sentimentos experimentados a seu favor e de admiração por seu poder. Ao remeter à empresa esses atributos os trabalhadores demonstram sentir a "necessidade de preservar a qualquer preço a imagem gratificante que formaram da empresa para poder conservar a fé que investiram nela" (Pagès et al., 1993, p. 86).

A ideologia oficial dos grandes princípios é a que parece prevalecer por meio da qual se prolongam as crenças, assim "os indivíduos contribuem para o reforço da ideologia dominante, preenchendo as lacunas entre os princípios afirmados e a realidade vivida, e como se tornam, assim, fiéis defensores do poder que os aliena" (Pagès et al., 1993, p. 86).

O uso do Objeto Intermediário para avaliação das condições gerais e organização do ambiente de trabalho.

Em outra atividade, utilizou–se como Objeto Intermediário uma marionete construída com uma vassoura e chamada de Margarida. A vassoura é um objeto simbólico em várias culturas, sendo considerada símbolo do cultivo na áfrica do Norte e tendo papel de protetora entre os povos da Argélia.

Segundo Chevalier & Gheerbrant (2001, p.932):

"Nos templos e santuários antigos, a varredura é um serviço de culto. Trata–se de eliminar do chão todos os elementos que do exterior vieram sujá–lo, e essa só pode ser executada por mãos puras".

A vassoura é ainda considerada por algumas civilizações como símbolo do alcance dos fins, possuidora da qualidade de clarividência, ou seja, aquela que vê com clareza.

Por apresentar todo este simbolismo, resolveu–se usar a vassoura como Objeto Intermediário no contexto organizacional, atribuindo a este objeto uma caricatura, um nome e um poder, o poder de percorrer toda a empresa e verificar seus pontos positivos e negativos.

Solicitamos aos participantes que se sentassem em círculo e o exercício foi iniciado com a apresentação da vassoura caricaturada dizendo: Temos hoje aqui a Margarida, uma vassoura com super poderes. Ela pode circular por toda a empresa e em suas andanças conhecer muito bem tudo o que acontece na empresa, os pontos positivos, os negativos, as necessidades de mudanças. Agora, convido vocês para fecharem os olhos e fazerem uma caminhada com a Margarida. No caminho ela irá mostrar para vocês tudo o que está encontrando. Vou colocar uma música para que o passeio fique bem descontraído e quando parar de tocar o passeio estará encerrado e vocês poderão escrever nestas folhas de sulfite que estamos entregando tudo o que a Margarida mostrou–lhes durante esse passeio imaginário, solicitamos também que mantenham o anonimato em seus escritos".

Tanto as frases quanto as histórias criadas a partir da viagem imaginária forneceram dados sobre as condições e a organização do trabalho, sendo que em relação às condições de trabalho, os dados apontados forneceram indicativos de que a percepção do risco é entendida pelos trabalhadores como desconforto e não como gerador de doenças. Os riscos físicos e químicos como calor, poeira e vapores químicos foram os mais assinalados como geradores de desconforto para os trabalhadores. Questões referentes à organização, ordem, limpeza e segurança do trabalho, também foram apontadas como mostram os escritos subseqüentes:

"Passando pelo setor trefila seco, Margarida encontrou muitos problemas ligados na ordem de pontas de fio, vergalhão jogado pelo chão, papéis também jogados e lixo fora da ordem de organização. Por sua vez Margarida resolveu ir para linha de latonagem e lá encontrou produtos químicos derramados pelo chão, bobinas, latonagem sem organização, papéis e pontas de fios também jogados. Ela também resolveu ir para trefila fina e lá encontrou falta de ordem das bobinas estocadas pelo chão, fios jogados pelo chão, piso molhado do banho das máquinas ou vazamentos de óleo, e lá nas cordeiras há muitas etiquetas, papéis jogados pelo chão. Poeira, fumaça, pessoas, sujeira, calor, água, pedaço de ferro, fios por todo lado, empilhadeira, trator, máquina de solda, carrinhos, manutenção, bobinas de fio, bobinas de corda, caixa de papelão, paletes de madeira, paletes de ferro, caçamba de sucata, balança, e muitas pessoas trabalhando com união, etc."

Aspectos relacionados à organização como sobrecarga, processos de trabalho, relações interpessoais, também foram apontados pelos trabalhadores, indicando o funcionamento da empresa em questão. Apontamentos sobre o ritmo de trabalho foram observados na história que se segue:

A Margarida vai encontrar na fábrica muitos equipamentos e máquinas, um pouco de barulho, vai ver que o nosso principal produto é a........ e para se obter esse produto final é necessário passar por vários processos onde existem pessoas diferentes trabalhando com o mesmo objetivo de levar o sustento para suas famílias. Na fábrica, existe um forte esquema de segurança, ela vai observar as pessoas usando os EPIs. Vai ver que existem as faixas de segurança, as placas indicativas, também como o nosso produto... . ela vai ver que pode haver fios ou pedaços de cordas nos latões que, às vezes, caem no chão. As pessoas se movimentam muito rápido para vencer o trabalho. As paradas para um café ou beber água têm que ser muito rápidas, às vezes, durante o período de trabalho tem que ir ao caixa eletrônico tem que ser muito rápido. Ela viu muita correria e também alguns operadores trocando fieira para a máquina poder trabalhar ou até o operador andando em volta das máquinas olhando se o embobinamento está correto. Porque se não tiver correto, fica ali parado até acertar. Ela pode estar passando ali e pegar alguma coisa errada, o fio fora das roldanas ou também dar alguma opinião para o operador trabalhar mais devagar sem correria, fazer uma por uma para não ter perigo de se machucar".

Nas histórias subseqüentes pôde–se observar aspectos diferentes do fluxo de produção:

Margarida entrou pela porta e viu um monte de bobinas e fios. Seguiu em frente e viu que esses fios entravam dentro de um forno e subiu em cima e viu um monte de pessoas trabalhando, pessoas que queriam fazer o melhor de si mesmas. A Margarida passando pela fábrica viu um lugar com um processo curioso, onde um fio passa por várias transformações, tratamentos químicos e redução de... . até chegar no seu produto final que é....... E viu também uma fábrica limpa e organizada. Dentro do processo de transformação passa descrito, primeiro passamos pelo monofio e trefilas depois, passamos pelo forno, linha de latonagem e trefila fina e, por último, a cordeira".

Margarida conheceu a fábrica de... . Ela passou pelo monofio, conhecendo todo trabalho, desde o vergalhão até o processo de trefila a frio. O tratamento que sobe e passa pela plataforma até chegar nas trefilas finas tornando–se bobinas de fio. Passou também nas cordeiras onde o produto acabado é colocado na caixa e levado para o cliente".

A sobrecarga de trabalho foi outro ponto destacado pelos trabalhadores:

A Margarida vai trabalhar em horário 6x2, trabalha 6 dias e folga 2, 6 dias de trabalho corrido. Quando entrar na fábrica Margarida, você deve usar os EPIs. Você trabalha bastante e é muito cansativo, mas você vai conhecer pessoas muito legais e também "A... . oferece muitos benefícios. Mas tem que ter muito cuidado para evitar os acidentes de trabalho. E o "mais bom"é quando se encerra os 6 dias de trabalho, aí a gente se reúne no clube, vamos bater uma bola e tomar uma cerveja todos juntos".

Queixas referentes à falta de reconhecimento profissional também foram expressas como no exemplo seguinte:

Muito lixo, algumas coisa certas e erradas, ex: alguns trabalham demais e outros não fazem nada. Outros suam a camisa para mesmo assim levarem a culpa por tudo que sai errado. Agora se alguma coisa sai certo nunca é quem está cansado de tanto trabalhar que tem os méritos, mas aquele que não faz por merecer. Mas uma coisa, se a chefia não vê tem um que com certeza está vendo!!!. No passar pel"A... . eu vejo que é uma boa firma, falta apenas um pouco de justiça para o equilíbrio se tornar perfeito. Todos procuram fazer o melhor apenas querem um pouco de valor".

Associada à sobrecarga e ao ritmo observamos também a denúncia da fadiga:

Ao entrar na empresa ela encontrou muita organização, chão limpo e também os trabalhadores trabalhando com dedicação. Mais adiante viu operários com expressão de cansaço e um ritmo bem acelerado de produção e percebeu que os trabalhadores a maior parte, dando tudo de si, mas, porém uma pequena parte pouco interessada com a produção. Viu também que todos colaboram uns com os outros".

Aspectos relacionados a forma das relações interpessoais também apareceram nos escritos, seguindo alguns exemplos:

A Margarida encontrou na fábrica muita incompreensão, muita gente durante o dia que trabalha muito pouco enquanto o pessoal da produção trabalha demais. Ela viu que se o pessoal do dia ajudasse o pessoal do turno, daria mais produção e ninguém cansava tanto, não se desgastava tanto".

Pessoal trabalhando, fábrica limpa, funcionário não usando os EPIs, pessoal bastante unido em relação tanto no trabalho como no lazer. Funcionário que gosta de ser muito mais que o encarregado. Uma turma querendo sempre ser melhor que a outra. Um restaurante limpo com boas refeições. Funcionário sempre produzindo com qualidade. Um bate papo que é quase impossível".

Na história abaixo, o trabalhador informa como a pressão se torna um fator relevante para ocorrência do acidente de trabalho.

Margarida uma vassoura que tinha poderes de ver, tocar, cheirar, ouvir. Uma vez resolveu ver a fábrica por cima. Ela viu que havia muitas pessoas trabalhando em várias máquinas, operadores, supervisores, chefes e inspetores da Qualidade. Só que há muitos que não estão ali para trabalhar e sim para criticar o trabalho do próximo, questionando coisas a toa, fazendo pressão em cima dos que querem trabalhar direito, trabalhar do jeito que está sendo pedido. Pessoas que se sentem pressionadas com tanto trabalho, com tanta gente ao seu redor mandando, discutindo, dizendo que está fazendo errado, que, isso não vai ficar assim. Esse trabalhador acaba se acidentando porque se sentiu com medo de acontecer algo com o seu trabalho, com a sua profissão, isso deveria mudar, pra melhor".

O uso do Objeto Intermediário para avaliação da relação dos participantes com o trabalho.

Em outra atividade realizada com o grupo, o objetivo era promover a auto–percepção, desenvolver a criatividade, avaliar a situação dos trabalhadores no contexto organizacional, seus sentimentos e conflitos, identificar problemas, detectar relações existentes entre expressões de sofrimento (ou prazer), desenvolver a reflexão sobre o cotidiano, avaliar características de clima e cultura organizacional, fornecer dados sobre a dinâmica das relações interpessoais e promover a mobilização subjetiva grupal sobre a situação do trabalho.

Para isso, utilizamos como Objetos Intermediários: música de interiorização (Vangelis: Main Theme From "Missing" e Five Circles), folhas de papel sulfite, fios de lã coloridos, colas e canetas hidrográficas.

Solicitamos aos participantes que fechassem os olhos e começassem a pensar sobre o dia–a–dia de trabalho. Então, introduziu–se a música de interiorização e as seguintes consignas: "Comecem a imaginar como esse cotidiano de trabalho pode ser representado por uma linha; imaginem que esta linha tem uma cor, um movimento, uma forma; procurem, agora, criar uma imagem que represente a relação que vocês têm com o trabalho."

Enquanto os participantes estavam com os olhos fechados, vários fios de lã foram colocados no centro do grupo (no chão) e após isto foi pedido aos participantes que abrissem os olhos e escolhessem um fio de lã para a construção da imagem.

Através das imagens, dos escritos e dos comentários feitos pelos trabalhadores, foi possível diagnosticar pontos relevantes no que concerne aos aspectos relativos à organização do trabalho na empresa.

O uso do Objeto Intermediário para avaliação dos desejos em relação às mudanças no contexto do trabalho.

Segundo Menegazzo et al., (1995, p. 169) "todo homem como foi capaz de se arrojar no mundo no ato do nascimento, sempre terá a potencialidade de voltar a se fundar num novo ato de criatividade resolutiva. É essa oportunidade que deve ser oferecida ao protagonista e ao grupo no trabalho dramático".

Para essa tarefa de reestruturação criadora, elaboramos um jogo que denominamos Jogo do Gênio, partindo do conceito de que "em cada indivíduo, estão em jogo não somente as características ou os papéis irresolutos e fixados em determinados modos do passado, mas também a totalidade de seu ser. São essas outras facetas que possibilitam intervir no que estava fixado, oferecendo uma nova maneira para que possam ser corrigidos os aspectos fixados e restabelecido o processo resolutivo adequado, resolvendo os aspectos truncados da identidade e se entregar à mudança que implica em novos objetivos e novos projetos" (Menegazzo et al., 1995, p. 169).

Para o desenvolvimento desse jogo utilizamos como Objeto Intermediário uma máscara cuja imagem foi caricaturada pela figura de um gênio, idéia baseada na dramatização dirigida por Moreno em 1º de abril de 1921 na cidade de Viena, na qual o autor, tendo como único cenário um trono vermelho e uma coroa dourada, solicitou aos participantes que ao se colocarem no papel de rei apontassem o que fariam para organizar e dirigir o país. Baseando–se nesta idéia a senha do referido jogo foi: "Se vocês tivessem a oportunidade de se depararem com um gênio e pudessem fazer pedidos ao menos para melhorar o ambiente de trabalho, o que pediriam? Para essa atividade precisamos de um gênio, quem poderia ser esse gênio?" Rapidamente o protagonista surgiu e iniciamos a atividade.

A atividade desenvolvida – Jogo do Gênio – tem uma mistura de conteúdos míticos e imaginários possíveis de serem representados na figura do gênio. O uso da máscara define um modo para o enfrentamento das situações ameaçadoras do espaço psicodramático e é um objeto indicado para desinibir os participantes. A máscara, possuidora de um caráter mágico, facilita a passagem do que se é ao que se quer ser.

De acordo com Chevalier & Gheerbrant (2001, p. 598) "a máscara é um símbolo de identificação no qual o ator que se cobre com uma máscara se identifica, na aparência ou por uma apropriação mágica, com o personagem representado".

A máscara é, enfim, um liberador, opera como uma catarse, um mediador, entre o oculto e o que precisa ser revelado. Neste sentido, ao usar uma máscara o indivíduo alimenta–se de seus próprios desejos, expõe aspectos de sua personalidade, suas pulsões, seus conflitos interiores bem como seus ideais.

A identificação com a manifestação mágica da figura possui uma modalidade de manifestação do "self". A máscara não esconde, ela revela conflitos internos que precisam ser exteriorizados, ela transforma o corpo, mas conserva sua individualidade e capta a força vital que escapa. Por meio da máscara o poder é mobilizado, encarna–se o outro ser no imaginário do eu posso ser.

A imagem do gênio tem um valor simbólico daquele que tem o poder de desencadear determinados fatos. Conceituado no Dicionário Aurélio como espírito inspirador com altíssimo grau ou o mais alto de capacidade mental criadora em qualquer sentido, indivíduo de extraordinária potência intelectual.

Sob diversos nomes, na maioria das tradições antigas, "um gênio acompanha cada homem, como seu duplo, seu Daimon, seu anjo da guarda, seu conselheiro, sua intuição, a voz de uma consciência supra–racional" (Chevalier & Gheerbrant, 2001, p. 468).

Segundo os autores, em algumas civilizações o gênio simboliza a centelha de luz que escapa de todo controle e que engendra a convicção mais íntima e mais forte. é considerado também, na concepção dos autores, como o "arquétipo da ordem social" estabelecido por Deus. O ser criado para proteger podendo intervir nos sacrifícios.

Diante destas simbolizações, a figura do gênio se mostrou ideal para ser utilizada como Objeto Intermediário para a atividade que foi conduzida da seguinte forma:

Solicitamos aos participantes que ficassem em círculo. Colocamos uma cadeira em destaque e pronunciamos: "Quem quiser ser o gênio venha se sentar nessa cadeira". Ressalta–se que em um dos grupos, todos quiseram passar pelo papel. Após as manifestações, colocou–se a máscara no participante que assumiu o papel de gênio e pronunciou–se aos demais: "Agora, imaginem que vocês estão defronte a um gênio e que podem fazer pedidos a ele para melhorar o local de trabalho. O que vocês pediriam?". No caso do grupo em que todos os participantes quiseram assumir o papel de gênio, a consigna foi mudada: "Se você fosse um gênio o que você mudaria no local de trabalho?". Sucessivamente, seguiu–se o momento dos pedidos. Esses foram feitos completando–se a frase: "Vou pedir para...". Em seguida, agrupamos os pedidos por temas e apresentamos na seqüência:

Mobilização de problemas relacionados à comunicação:

"Mudar a comunicação".

"A chefia escutar mais os trabalhadores".

"Eu mais compreensão... Pedir para o pessoal da qualidade ter mais compreensão.

Problemas relacionados à superestrutura (produtividade, pressão, falta de tempo, fadiga)":

"Melhorar as condições de trabalho para que as máquinas não quebrassem".

"Eu queria que o pessoal diminuísse o número de máquinas por funcionário".

"Eu vou pedir menos máquinas para que eu possa dominar".

"Eu queria pedir menos máquinas para trabalhar".

"Eu vou pedir para a gerência diminuir as máquinas".

"Eu quero pedir mais gente para trabalhar na fábrica".

"Tinha que ter um carrinho a mais para o operador porque às vezes ele carrega no braço".

"Eu queria tudo mais peça e mão–de–obra para ajudar a gente".

"Eu queria aumentar o horário de almoço".

"Eu queria pedir menos máquinas para trabalhar".

"Queria aumentar o horário de almoço".

Apontamentos sobre perspectiva profissional, plano de carreira, emprego e salário:

"O pessoal terceirizado, 'os colarinhos vermelhos', deveriam ganhar igual".

"Aumentar 100% meu salário, meu salário está baixo".

"Gênio, eu acho o seguinte, o trampo é pesado, é muito corrido eu gostaria de um salário mais digno".

"Gênio eu vou pedir que a... ... . . cresça mais e mantenha o emprego e saúde dos colegas".

"Eu vejo aqui que a empresa tá crescendo e a gente vê que os trabalhadores não estão, tem operador que está aqui há mais tempo (15 anos) são pessoas que merecem chance de crescer e não estão crescendo".

Condições gerais de conforto que foram solicitadas:

"Eu quero ganhar mais, uma TV nova para o restaurante e acabar com a hora extra".

"Aumentar as geladeiras, pôr água gelada".

"Melhorar a saída da fábrica para o restaurante".

"Eu vou pedir mais manutenção preventiva".

Pedidos de melhorias nas relações interpessoais:

"Dar uma força para mudar o relacionamento das pessoas na fábrica".

"Eu quero pedir espaço de decisão para os operadores".

"Outros pedidos referentes às condições de trabalho foram:

"Quero pedir que os acidentes diminuíssem o máximo possível".

Um 'joli' (termo empregado pelos trabalhadores para solicitar um ajudante) para nos ajudar".

Neste jogo, o gênio humanizado recebeu os pedidos do coletivo. Ao se depararem com a figura do gênio os participantes ficaram mobilizados e tomaram consciência de suas necessidades no ambiente de trabalho, os pedidos surgiram como manifestação dos desejos desse coletivo em relação às mudanças no ambiente de trabalho.
O uso do Objeto Intermediário para avaliação dos resultados da atividade.

Após aproximadamente 2 (dois) meses da coleta de dados, voltamos à empresa para apresentação do relatório final da pesquisa. Realizamos uma atividade para verificarmos juntamente com os participantes, os anelos de mudanças mais mobilizados com a participação destes nas atividades psicodramáticas. Para a atividade utilizamos como Objeto Intermediário folhas de papel sulfite, lápis e canetas.

Iniciamos a atividade solicitando aos participantes que ficassem em pé, em círculo e, por um momento, tentassem lembrar sobre as atividades grupais de que haviam participado. Introduzimos uma música de sensibilização e, na seqüência, entregamos folhas de papel sulfite a cada um. Pedimos que os mesmos dobrassem–na ao meio pensando em dois momentos distintos: antes e depois da participação nas atividades. Então, os trabalhadores escreveram ou desenharem como se sentiam nestes dois momentos utilizando o antes em uma parte da folha e o depois, na outra.

Bibliografia:


BARBERÁ, E. KNAPPE.P.P. A Escultura Na Psicoterapia: Psicodrama e outras técnicas de ação. São Paulo: Agora, 1999.

BERMUDEZ, J. G. R. Introdução ao psicodrama. Tradução Dr. José Manoel D Alessandro. São Paulo: Mestre Jou, 1970.

GONÇALVES, C. S. & outros. Lições de Psicodrama. Introdução ao Pensamento de J.L.Moreno. São Paulo: Ágora, 1988.

MARINEAU, R. F. Jacob Levy Moreno 1889-1974 - Pai do psicodrama, da sociometria e da psicoterapia de Grupo. São Paulo: Ágora, 1992.

MORENO, J.L. Psicoterapia de grupo e psicodrama. Tradução José Carlos Vítor Gomes. Campinas. SP: Livro Pleno, 1999.

KNAPPE, P. P. Mais do que um jogo: Teoria e prática do jogo em psicoterapia. São Paulo: Ágora, 1998.

SEIXAS, M. R. A. Sociodrama Familiar Sistêmico. São Paulo:ALEPH, 1992.



Nenhum comentário:

Postar um comentário

Este espaço é todo seu, deixe sua marca e obrigada pela visita!

Postar um comentário